Que loucura?

 

 

Lúcido, adj, (lat. lucidu). Que luz, resplandecente; astros lúcidos. Claro, transparente: Cristais lúcidos. Polido. Fog. Que vê, compreende ou exprime claramente as coisas: espírito lúcido. Intervalos lúcidos, períodos de razão nas pessoas que sofrem de alienação mental.

Lucidus ordo, loc. lat. que signif.: uma ordem clara. Expressão de Horácio (Arte Poética, 41) Lucidus ordo é uma das primeiras qualidades dos grandes escritores.

Lucidez (ê), s. f. Brilho, claridade. Qualidade de lúcido. Clareza: expor com lucidez. Razão clara: loucura, com intervalos de lucidez. Perceptibilidade. Clareza de pensamento ou de raciocínio.

Louco , adj. Que perdeu a razão; doido, alienado, demente; parecer louco. Que faz ou diz extravagâncias. Temerário, imprudente: audácia louca. Vão, estulto: pretensões loucas. Excessivo, imoderado: alegria louca. Cego ou dominado por uma paixão: louco de amor.

Loucura, s. f. Estado de quem é louco. Alienação do espírito, demência, doidice: ataque de loucura. Acto próprio de louco. Fig. Imprudência, acto irreflectido. Extravagância, diabrura, brincadeira desenvolta: fazer loucuras.

Lou-CURA ; Estado do indivíduo que tem disponibilidade total para a aprendizagem, ama o erro porque vê através dele o aperfeiçoamento, pauta as suas acções pelos seus valores morais e éticos, os seus movimentos são completamente livres e espontâneos, denota grande capacidade intelectual, grande leveza de espírito e mantém uma visão optimista em todas as ocasiões, cria com grande facilidade e harmonia, adora dialogar e partilhar experiências. No fundo, é um pouco como uma criança, uma vez que é puro e inocente.

Que louco!, exp. muito utilizada, principalmente pelos jovens para designar algo fora do comum, algo que fascina e surpreende.

 

 

José Régio

Cântico Negro

 

« Vem por aqui» - dizem-me alguns com olhos doces,

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: «vem por aqui»!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre da minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

Porque me repetis: «vem por aqui»?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar oas ventos,

Como farrapos, arrastar os pés ssangrentos,

A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas nossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátrias, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: «vem por aqui»!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou,

- Sei que não vou por aí!

 Poemas de Deus e do Diabo, 1925

 

 

 

 

 

"O Louco " Khalil Gibran

PERGUNTAM-ME como fiquei louco?

Foi assim:

Há muito tempo, muitíssimo,

Muito antes de terem nascido os deuses,

Despertei de uma profunda letargia

E reparei que todas as minhas máscaras

Tinham sido roubadas.

Sim, as sete máscaras

Que para mim tnha fabricado e utilizado

Nas minhas sete vidas.

Corri sem máscara

Pelas ruas cheias de gente

Gritando:

- Ladrões! Malditos ladrões!

Homens e mulheres riram-se de mim,

E muitos fecharam-se em casa,

Cheios de medo.

Quando cheguei à praça do mercado,

Um rapaz que estava de pé

No telhado da casa,

Gritou apontando-me com o dedo:

- é um louco !

Ergui os olhos para o ver,

E foi então que o sol banhou

Pela primeira vez

O meu rosto despido.

Pela primeira vez

A sol banhou o meu rosto despido

E a minha alma

Encheu-se de amor ao sol,

E desde então

Nunca mais quis usar máscara.

Foi assim que me tornei louco.

Encontrei muita liberdade

E segurança

Na minha loucura;

A liberdade da solidão

E a segurança de nunca ser compreendido,

Porque aqueles que nos compreendem

Fazem de nós escravos.

Mas não deixem

Que me orgulhe demasiado

Da minha segurança;

Nem sequer o ladrão encarcerado

Está livre de encontrar outro ladrão.

 

 

 

 

"Loucura" Mário Sá Carneiro

"Mas afinal o que vem a ser a loucura? Um enigma... Por isso mesmo é que às pessoas enigmáticas, incompreensíveis, se dá o nome de loucos...

Que a loucura, no fundo, é como tantas outras, uma questão de maioria. A vida é uma convenção: isto é vermelho, aquilo é branco, unicamente porque se determinou chamar à cor disto vermelho e à cor daquilo branco. A maior parte dos homens adoptou um sistema determinado de convenções: É a gente de juízo...

Pelo contrário, um número reduzido de indivíduos vê os objectos com outros olhos, chama-lhes outros nomes, pensa de maneira diferente, encara a vida de modo diverso. Como estão em minoria, são doidos...

Se um dia porém a sorte favorecesse os loucos, se o seu número fosse o superior e o género da sua loucura idêntico, eles é que passariam a ser os ajuizados.

Na terra dos cegos quem tem um olho é rei, diz o adagio: na terra dos doidos, quem tem juízo, é doido, concluo eu.

O meu amigo não pensava como toda a gente... Eu não o compreendia: chamava-lhe doido. Eis tudo. (...)

É um secreto pensamento que mo afirma.

Enganaram-se vocês e os médicos com isso a que chamaram loucura. O vosso espírito é demasiadamente acanhado para compreender tudo quanto não seja o comum... o vulgar...(...)

O filho, quando nasce, martiriza, tortura a mãe... mata-a muitas vezes, e não ri ao chegar ao mundo, não ri, chora e grita. (...)

Um pensamento me atravessou agora o espírito: Serei um louco?... Talvez... é possível...sou um louco, um louco. Que me importa? Quero saber! Quero saber!

 

 

"O medo em 6 andamentos" Valério Romão

" Filho, a loucura é uma diferença, uma palavra usada para definir pessoas que perderam a possibilidade de comunicar os outros. Ela espalha-se, pelas linhas telefónicas, pelos jornais, a televisão e Internet. Anda de boca em boca, ávida de almas e a sua fome é insaciável. Esconde-se atrás das portas e dos sorrisos e espreita-nos com um ar triunfante... Por isso os loucos têm de ficar juntos, para não espalhar a loucura - dizia ele- porque se os deixarem telefonar, ela espalha-se. Através da língua, dos livros, do écran, ela espreita e salta como um animal acuado. Filho, toma cuidado! Ninguém está a salvo..."

 

 

"Cidade" Arthur Rimbaud

"Estes milhões de pessoas, que não têm necessidade de saber quem são, conduzem tão identicamente a educação, o trabalho e a velhice, que esta forma de vida deve ser várias vezes menos longa do que a que uma estatística louca aponta para os povos do continente. É assim que, da minha janela, vejo novos espectros deslizando através da eterna e espessa fumarada de carvão – o nosso sombreado das matas, a nossa noite de estio! -–vejo novas Euménides diante do meu pavilhão que é a minha pátria e todo o meu bem, pois que aqui tudo é parecido com tudo..."

 

 

 

O sentido da vida

"Era uma vez um Beija-Flor que fugia de um incêndio juntamente com todos os animais de uma floresta. Só que o Beija-Flor fazia uma coisa diferente: apanhava gotas de água de um lago e atirava-as para o fogo. Um outro animal, intrigado, perguntou:

- "Beija-Flor, achas que vais apagar o incêndio com estas gotas?"

                    "Com certeza que não", respondeu o Beija-Flor , "mas estou a fazer a minha parte". (Fábula do Beija – Flor)

 

 

"E melhor tentar e falhar, que se preocupar e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu

prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver."

(Martin Luther King)

 

"D. Quixote é um grande senhor, por isso é que escarnecem dele e o

desprezam. Os grandes estão sempre sujeitos ao desprezo da ralé e são

arrastados na lama. Cristo sofreu a injúria, os escarros e a tortura dos homens, ele que era

um sol." in "o louco de shakti" de rémi boyer.

 

"Sempre dizem que o tempo muda as coisas, mas quem tem que mudá-las é você"

(Andy Warhol)

 

"Só por existir, vale a pena existir. A maior recompensa da vida é ela própria."   Vergílio Ferreira

 

"É melhor tentar e falhar, do que preocupar e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão que sentar e não fazer nada até ao final. Eu prefiro na chuva caminhar, em vez de me esconder em casa em dias tristes. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver."    Martin Luther King

"Quanta mais vazia é a vida, mais pesa."  Daudi

 

"O mundo é um reflexo do nosso rosto." Paulo Coelho

 

"No sonho o importante é partir, e não chegar." Miguel Torga

 

"Valeu a pena? Tudo vale a pena.

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador,

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu."

Fernando Pessoa

 

"A verdadeira riqueza é a dos pensamentos e sentimentos que podemos distribuir aos outros sem nunca nos empobrecermos a nós mesmos." Omramm Aivanhov

"Nunca andes pelo caminho traçado, pois ele só conduz até onde outros chegaram. Faz o teu próprio caminho." Alexandre Bell

"Algumas pessoas vêem as coisas como são e perguntam: porquê? Eu imagino as coisas como poderiam ser e pergunto: porque não?" Martin Luther King

 

"O amor que damos é o único com que ficamos."

Pam Brown

 

Autobiography in Five Short Chapters

By Portia Nelson

Chapter I

I walk down the street.

There is a deep hole in the sidewalk.

I fall in. I am lost

I am helpless.

It isn’t my fault.

It takes forever to find a way out.

Chapter II

I walk down the street.

There is a deep hole in the sidewalk.

I pretend I don’t see it. I fall in again.

I can’t believe I am in the same place.

But it isn’t my fault.

It still takes a long time to get out.

Chapter III

I walk down the street.

There is a deep hole in the sidewalk.

I see it is there.

I still fall in

it is a habit.

My eyes are open.

I know where I am.

It is my fault.

I get out immediately.

Chapter IV

I walk down the street.

There is a deep hole in the sidewalk.

I walk around it.

Chapter V

I walk down another street.